Você já pensou sobre ter um relacionamento aberto?

Você já se viu em dilemas sobre abrir seu relacionamento?
Você já sentiu-se atraído por outras pessoas mesmo estando num relacionamento monogâmico?
Você já questionou, pelo menos por um segundo o modelo hegemônico de relacionamento que é compartilhado nas músicas, nos contos de fadas, nos filmes e novelas?
Você já se sentiu sufocado pela instituição do casamento?

tumblr_mzewixT1hk1rqgjz2o1_1280
Beyoncé e Jay Z, as duas maiores artistas negras norte-americanas tem uma regra clara: ambos não podem ser flagrados pela mídia se tiverem um affair.

Se a sua resposta for positiva para a maioria das questões, então ‘Poliamor e Relacionamento Aberto‘ do autor Alexandre Venâncio, lançado pela Editora Panda Books, é um livro feito pra você!

poliamor-relacionamento-aberto-panda-books-500x500

Trata-se de um guia ilustrado e divertido, onde o escritor e designer demonstra como relacionamentos livres podem ser menos complicados do que parecem. Através de exemplos que envolvem cultura POP, casais famosos como Jay-Z e Beyoncé ou Sartre e Simone de Beauvoir, o livro é uma viagem através das décadas com dicas para abordar seu parceiro sobre a tão sonhada liberdade, com ética, desejo e equidade.

existentialists
Filófxs franceses, Simone de Beauvoir e Sartre eram professores, escritores e pensadores que chocaram o mundo ao tratar sobre seu relacionamento aberto livremente.

O Disco Punisher conversou com Alexandre Venâncio sobre relacionamento aberto e sua publicação:

DP – Se você tivesse de explicar a ideia de poliamor para os seus pais ou seus avós, como você o faria?

AV: Certamente já tive de fazê-lo e acredito que a linguagem que escolhi no livro seja a melhor forma. Escolhi um direcionamento didático, que não assuste as pessoas que talvez não estejam habituadas ao tema. Acho importante lembrar as pessoas mais velhas que, no modelo patriarcal machista de sociedade, muitos casamentos duram anos com o homem mantendo uma vida amorosa paralela e a mulher sendo subjulgada. E às vezes isso é inclusive considerado uma dinâmica natural de um relacionamento. Talvez então um bom argumento seja que o livro prega a igualdade nos relacionamento, já que ambos poderiam ter relacionamentos extras, independente do gênero.

Um outro ponto é que os mais jovens podem estar mais habituados ao tema, pois é parte da cultura popular atual, mas vale lembrar que os mais velhos têm muito mais experiência e vivência nos relacionamentos, portanto vão conseguir entender melhor algumas situações que podem ser inerentes aos relacionamentos abertos e poliamorosos.

DP – Como surgiu e o que motivou a ideia de criar o livro ‘Poliamor e Relacionamento Aberto’?

AV: A ideia surgiu primeiramente de um desejo pessoal de espalhar uma mensagem que eu achava importante, de uma forma que eu considero construtiva. Eu queria que essa ideia viesse carregada de fatos históricos e curiosidades culturais, que, acredito, endossam o tema. Ao comentar sobre o livro com amigos e parentes, todos demonstravam interesse, achei então que haveria um público muito grande fora desse círculo de pessoas.

Considero uma tarefa nobre quebrar os paradigmas tradicionais da sociedade. Então quem tem uma ideia que vai de encontro ao que é considerado tradicional, e não sendo nada criminoso ou preconceituoso, acho que deve tentar divulgar essa mensagem de alguma forma. O livro foi o formato que escolhi.

Escrevi o livro durante um período sabático. Tive tempo para tocar projetos pessoais que havia postergado durante anos, então aproveitei a oportunidade para isso. Como sou designer, quis criar um material que fosse visualmente rico, fiz a diagramação do livro eu mesmo e contratei um ilustrador amigo meu, Gui Rizzatti, cujo trabalho eu admiro. Foi, acima de tudo, um trabalho divertido.

DP – Nós vivemos tempos de repressão do estado, ao mesmo tempo em que experienciamos novas vivências em relação a sexualidade, amor e relacionamentos. Que mudanças você gosta sobre os tempos que estamos vivendo?

AV: Acho que estamos entendendo que o estado pouco nos atende, atendeu ou irá atender. Estamos quase por conta própria. E já que temos que nos mover sozinhos, acredito que fizemos progressos interessantes. Vejo a nova geração de forma muito positiva, e a troca de informação entre eles é tão dinâmica que algumas coisas mudam rápido demais. Coisas que tolerávamos no mês seguinte deixamos de tolerar.

Claro que há tropeços, mas acho que faz parte da curva de aprendizagem em relação ao que é novo, que não foi experenciado antes.

DP – O Estado brasileiro ainda só reconhece união entre duas pessoas, o que pode ser um grande empecilho para uniões entre mais pessoas. O que você pensa sobre essas discussões em relação a como o direito jurídico ‘coloniza’ nossos afetos e relacionamentos?

AV: Acredito que isso vai mudar bem mais rápido do que calculamos. Já está mudando na verdade. Cabe a nós, que estamos insatisfeitos com o status quo, continuar nos expressando, fazendo blogs, postando videos, escrevendo livros… Normalmente, o direito jurídico acompanha as mudanças da sociedade de forma mais rápida que o próprio estado.

DP – O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre poliamor que elas ainda não sabem?

AV: O livro traz diversas informações, curiosidades e dicas sobre o poliamor que a maioria das pessoas ainda não sabe, mas acho que a mensagem principal é simples e não é uma grande novidade. Vem lá dos hippies: “Faça amor não faça Guerra”. Às vezes as pessoas são muito rápidas para julgar e condenar as decisões dos outros. Mas será que a decisão do outro lhe afeta ou é prejudicial a alguém? Se não for, por que condenar esse comportamento diferente do seu? Talvez, se as pessoas se preocupassem mais em se relacionar umas com as outras, afetivamente, sexualmente, amorosamente, houvesse menos estresses e a vida seria bem mais prazerosa, literal e figurativamente.

Por: Ali Prando