‘A função do artista é desconfiar’ – Bruna Lucchesi

O primeiro EP solo da cantora e compositora Bruna Lucchesi, 29 anos, é uma boa surpresa para os ouvidos contemporâneos. “Blär” faz um apanhado de quatro faixas delicadamente costuradas como uma colcha de retalhos. Cada uma revela uma personalidade única, sem repetições de fórmulas que talvez dessem até mais certo do ponto de vista comercial.

Bruna decidiu fazer este breve disco com a intenção de consolidar um material que represente o seu som. “Considero este EP uma porta que se abre do meu trabalho para o mundo e vice-versa. Em quatro faixas, busquei traduzir um pouco das muitas vozes que voam pela minha cabeça a todo tempo. E digo isso porque fiz questão de ter muitas camadas de vozes aparecendo de diferentes formas em cada arranjo. Sinto que são elas – sou elas – que amarram essas quatro histórias”, conta a artista.

No dia 01 de novembro, a artista faz lançamento de seu trabalho “Blär” na Fauhaus em São Paulo. Você pode obter mais informações clicando aqui.

Antes de lançar seu trabalho, a artista conversou com o Disco Punisher sobre seus processos criativos:

DP – Como você decidiu que se tornaria artista?
BL: Eu não consigo pensar num momento específico em que eu tenha tomado essa decisão. Eu fui tomando esse caminho meio sem querer (querendo) e quando eu vi era isso mesmo. Sou artista e viver de outra coisa que não seja a arte, a música não me faz sentido.

DP – Como funciona seu processo criativo?
BL: Eu sou daquelas que acredita que o processo criativo é o tempo todo. A vida é o processão. Os momentos em que eu “sento pra criar” é mais como uma canalização do que eu vivo na vida pra transformar em música, poesia, cor.. enfim.

DP – Num Brasil politicamente caótico e polarizado, qual é a função do artista?
BL: A função do artista é desconfiar, olhar além daquilo que está explícito e dançar nas entrelinhas. O que passa despercebido para a maior parte das pessoas, muitas vezes é o gatilho de uma criação. Um detalhe, um olhar, um comentário que escapa. Estamos aqui para desconfiar, denunciar e sensibilizar. Bom, aí a minha esperança é que tudo isso que nós artistas fazemos se traduza um grande processo de cura. Todo mundo precisa.

DP – O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você que elas ainda não sabem?
BL: Eu me considero uma pessoa bem transparente (às vezes até mais do que eu gostaria)… mas não sei se as pessoas sabem que eu sinto mesmo tanto quanto o que eu canto. Cada pedacinho dessas vozes todas que eu solto na minha música é uma parte minha bem minha.