“O artista tem de aproveitar as redes como um outro campo de criação de universos” – Ana Frango Elétrico

Caos, desconstrução e melodias inesperadas são alguns dos ingredientes da estética de Ana Frango Elétrico. Artista carioca, aos 22 anos, ela tem chamado atenção da crítica especializada. Suas músicas são bastante experimentais, com guitarras tortas e metais – quando adolescente, Ana ouvia Miley Cyrus, Gilberto Gil e Chico César.

Seu disco “Little Electric Chicken Heart” tem parcerias com instrumentistas como Guilherme Lírio (guitarra), Marcelo Callado (bateria), Vovô Bebê (baixo), Antônio Neves (trombone), Eduardo Santana (tropmpete) e Marcelo Cebukin (saxofone). Ana Frango Elétrico é a pedida correta para aqueles ouvidos que se entorpecem ouvindo O Terno, Sara Não Tem Nome e BIKE.

Em entrevista ao DiscoPunisher, a artista fala sobre política, música, e suas referências estéticas:

DP – De onde vem seu nome, Ana Frango Elétrico?
AFE: Frango Elétrico vem de uma junção de fatos do acaso e escolhas racionais. Meu sobrenome tem muita consoante e possibilitou o resultado sonoro, é homem, bicho mulher, um outro-nome, personagem. Liberdade e possibilidade que eu estou pesquisando

DP – Como funciona seu processo criativo?
AFE: Sou uma pessoa obsessiva, meu processo vem de estar atenta com os assuntos/paladares sonoros e cromáticos da minha cabeça e experimentar, gosto muito de mexer e usar as mãos. Mergulho nos processos que estou envolvida, e fico dias embriagada de som ou cor.

Anoto muito no caderno, gravo muita ideia de melodia no celular, tiro muito print.

DP – Em mundo polarizado politicamente e editado por redes sociais, qual é a função do artista?
AFE: Acho que o artista tem que se posicionar. retratar elementos sociais e ou estéticos do tempo. aproveitar as redes como um outro campo de criação de universos. Ousar nas possibilidades dos campos em que atuam, nada está terminado, quem veio antes entregaram pesquisas, muitas inspirações e começos que apontam para novas chegadas, novos meios audiovisuais, novas plataformas.Sinto que cabe explorarmos e ampliarmos a arte ao máximo em todas essas novas questões tecno-socio-espaciais.

DP – O Rio de Janeiro tem sido berço de uma safra interessante da Música Brasileira Contemporânea: Letrux, Ava Rocha, Alice Caymmi, Cícero. Como é produzir no Rio de Janeiro?
AFE: O Rio tem muita gente foda, é um cidade privilegiada com atenção especifica tanto midiática e curatorial. Tem muita gente foda em todos os campos artísticos, minha criação tem a ver com o jeito carioca, minha mão no violão e quem me cruza e atravessa. Infelizmente é uma cidade com um desgoverno, apocalíptica e quando se trata de música não é diferente. São poucas as casas de show independente lutando por sobrevivência, em eixos super específicos e quase nenhuma casa de show de porte médio. Ou 8 ou 80.

DP – Quais são as suas principais referências em termos de composição visual, poética e sonora?
AFE: Minhas referências são muitas, meu coração é grande e cabe muitos amores. Estou sempre me encantando e atualizando. mas vamos lá respectivamente: (dentre muitos outros) Miró, Clementine Hunter, Philip Guston, Teresa Magalhães /// Ana Cristina César, Salgado Maranhão, Maiakovski /// Jorge Ben, Rita Lee, Negro Leo.

DP – O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você que elas ainda não sabem?
AFE: Gostaria de que soubessem menos ainda de mim (risos). Mas acho que em relação a música, seria não esperar por nada específico, pois acho que minha pesquisa é pela pesquisa de diferentes possibilidades e aí acho que nenhum álbum vai se dar tão colado com o anterior.