Por que a ‘Blond Ambition Tour’ é a turnê mais revolucionária do século 20?

Ao final dos anos 80, Madonna levava uma vida agitada, profissional e afetivamente. Tinha inúmeros hits, frutos de grande trabalho feito durante os anos anteriores, quando emplacara “Holiday“, “Open Your Heart“, “Papa Don’t Preach“, “Like a Virgin” e “Material Girl“. Também estava saindo de um divórcio violento, com aquele que ela pensa até hoje ser o homem de sua vida, o ator e dramaturgo Sean Penn.

Na época, Madonna se relacionara com diversos homens e mulheres: era flagrada em bares e jantares com Prince, Michael Jackson (artista com quem dividia o poderoso empresário Freddy Demann), a comediante Sandra Bernhard (que auxiliou Madonna durante em seu processo de separação), John F. Kennedy Jr. (com quem ela deixou de sair depois que percebeu que o tradicionalista político norte-americano tinha alta dependência dos pais) e Warren Beatty, veterano da indústria de Hollywood.

Refletindo a avalanche de relacionamentos em que entrara, em 1989, Madonna ingressa em estúdio com os produtores Steve Bray e Patrick Leonard. Enquanto Bray produzia música POP dançante, Leonard dedicava-se mais à canções POP melódicas, e constantemente os dois brigavam em estúdio – Madonna, por sua vez, adorava: “Gosto quando as pessoas ficam umas contra as outras. Gosto até quando vêm pra cima de mim. Se você quer criatividade, precisa fazer faíscas. Sou totalmente a favor“.

Ela começaria a escrever letras e, muitas vezes, havia uma melodia implícita. Ela começaria com isso e se desviar disso. Ou se não houvesse nada além de uma mudança de acordes, ela inventaria uma melodia. Mas, na maior parte do tempo em que escrevo, há uma melodia implícita ou até tenho algo em mente. Mas ela certamente não precisa disso. […] Ela escrevia as letras em uma hora, a mesma quantidade de tempo que eu levava para escrever a música, e depois ela cantava. Fizemos algumas harmonias, ela cantava algumas partes da harmonia e, geralmente, às três ou quatro da tarde, ela tinha ido embora“, disse o produtor Patrick Leonard sobre trabalhar com Madonna em “Like a Prayer“.

Assim que “Like a Prayer” foi lançado, toda a crítica especializada musical curvou-se de vez à Madonna. Não havia mais dúvidas de que ela era a artista POP mais relevante de sua geração. Madonna havia se tornado uma produtora-executiva competente, além de ter composto dez músicas do álbum.

Para a arte do álbum, a cantora escolheu trabalhar com o fotógrafo Herb Ritts, que também fotografou a artista para a capa do disco anterior. A arte da capa apresenta um close-up da seção média do jeans e do diafragma nu. A capa foi vista como uma referência a Sticky Fingers, disco de 1971 dos Rolling Stones. As embalagens das primeiras prensagens do CD, cassete e LP foram perfumadas com óleos de patchouli para simular o incenso da igreja. Um publicitário da Warner Bros. Records revelou que essa foi a ideia da cantora; “Ela queria criar um sabor dos anos 60 e da igreja. Ela queria criar um sentimento sensual que você pudesse ouvir e cheirar….“. No encarte também incluíram uma inserção com orientações de sexo seguro e uma advertência sobre os perigos da AIDS, para a qual Madonna tinha perdido amigos. Sua inclusão foi decidida depois que a Warner Bros. concordou em lançar um álbum do comediante Sam Kinison no ano anterior, embora ele tenha afirmado que a AIDS vem de gays envolvidos em bestialidade. Madonna dedicou o álbum à sua mãe, “me ensinou a rezar“.

Like a Prayer“, primeiro single do disco, assim como o videoclipe, ironiza o sagrado e o profano. Enquanto Madonna canta com devoção, como se estivesse dirigindo-se a um poder elevado, ela fala sobre “ficar de joelhos” e querer “fazer com que você chegue lá”, evocando imagens distintas entre oração e sexo oral. No auge da música, há um coral evangélico e celestial. Puro êxtase. O videoclipe seria dirigido por Mary Lambert: “Percebi que a canção era sobre o gozo, religioso e sexual. Nós escutamos “Like a Prayer” juntas e decidimos que era sobre isso. Madonna sugeriu que no videoclipe ela fizesse amor sobre um altar“. Madonna teve a ideia de ter um amor inter-racial durante o videoclipe, com um ator que inclusive lembrava Jean Michel Basquiat, artista visual famoso nos anos 80 com quem ela teve um relacionamento. “Like a Prayer” possui até hoje uma narrativa fantástica. A artista dançava, dentro de uma igreja, com um vestido apertado e sensual. Tocando na ferida racista norte-americana, Madonna denunciava a violência da polícia contra pessoas negras, e fazia protestos contra a Ku-Klux Klan, violento grupo racista e xenofóbico.

Ainda nesse álbum, Madonna criou “Express Yourself”, um hino feminista onde ela fala sobre amor-próprio – o videoclipe da música, dirigido por David Fincher, foi reproduzido ao vivo na ‘Blond Ambition Tour‘, e até hoje é um dos mais caros da história do audiovisual. Com Prince, Madonna fez “Love Song”, um exercício da vaidade do performer, que ainda emprestou suas guitarras para “Act of Contrition“, música em que Madonna murmura uma prece sob um solo de guitarra bastante tenso. Sobre o processo criativo, a artista declarou mais tarde: “Nessas canções, estou lidando com assuntos específicos que significam muita coisa pra mim. Dizem respeito à assimilação de experiências que passei em minha vida e em minhas relações. Assumi mais riscos com esse disco do que em qualquer outro, e acho que o crescimento torna-se visível“.

Unindo arte e comércio, para promover o disco e a turnê ‘Blond Ambition Tour‘, Madonna firmou um comercial com a Pepsi de 5 milhões de dólares para utilizar “Like a Prayer” em um vídeo publicitário. Na época, a Pepsi era uma das maiores empresas do mundo, com cadeias de fast-food como Kentucky Fried Chicken, Taco Bell e Pizza Hut. As gravadoras não possuíam tanto dinheiro para bancar uma artista ao nível de Madonna, e por isso, inevitavelmente, alguns artistas se alinhavam às marcas para financiar projetos artísticos mais grandiosos.

Durante o ‘The Cosby Show’’, o mais popular dos Estados Unidos, a Pepsi veiculou em 02 de março de 1989, um comercial de 02 minutos com Madonna. O refrigerante aparecia de maneira muito sutil no comercial, o destaque mesmo era Madonna. Ao todo, 250 milhões de pessoas viram o vídeo, e ficaram chocadas com o conteúdo.

No dia seguinte, 03 de março, Madonna veicula “Like a Prayer”, e logo em seguida, grupos religiosos do mundo inteiro promoveram boicote à Madonna e também os produtos Pepsi. O papa também entrou na briga, e novamente, pediu que boicotassem Madonna na Itália (em outras ocasiões, o líder religioso do catolicismo havia pedido protestos contra a artista por conta de “Like a Virgin” e posteriormente, durante a promoção de “Papa Don’t Preach”, em que ela falava sobre aborto e direitos de escolhas).

Os executivos da marca então se viram numa corda bamba e apressaram-se a desvincular a marca do refrigerante com Madonna, porque segundo eles ela teria “permanecido fiel demais à si mesma”. Mais tarde, a artista ganhou o MTV Music Awards, programa ironicamente patrocinado pela Pepsi, como “Escolha dos Telespectadores”, e então, a performer declarou: “Acho que isso significa que vocês gostam de mim. Gostaria de agradecer à Pepsi por causar tanta controvérsia“. Ao todo, “Like a Prayer” vendeu mais de 30 milhões de cópias mundialmente, tornando-se um dos registros mais bem-sucedidos de Madonna.

Por ironia do destino, depois do divórcio com Sean Penn, Madonna acabara relacionando-se com Warren Beatty, um dos atores mais famosos de Hollwyood: “Sean Penn talvez quisesse desfilar comigo, não tenho certeza. Eu não conhecia absolutamente nada em Los Angeles, então ele me apresentava várias estrelas do cinema muitas vezes em apenas uma noite”, ela declarou. Ao contrário de Sean Penn, Warren entendia a rebeldia de Madonna, e ficou encantado desde a primeira vez que viu a estrela POP.

Contratada pela Disney, Madonna atuou ao lado de Warren Beatty no filme “Dick Tracy”, onde ela, agora loira, interpretava Breathless Mahoney, cantora de cabaré. Para a promoção do filme, a Disney lançou “I’m Breathless”, uma trilha sonora composta especialmente para o longa-metragem, onde Madonna arriscou-se mais em termos de sonoridade: flertou com vamp, jazz e blues. Num clima mais teatral, nesse disco, estão inclusas músicas como “Hanky Pank“, “Sooner or Later” e “More“. Para completar, Madonna recrutou o brilhante produtor Shep Pettibone e juntos, compuseram “Vogue“, um hino urbano, memorável e sofisticado onde a cantora fazia homenagens à comunidade gay e latina, famosa por sua dança ‘voguing‘, onde imitavam capas de revistas, bem como criara um rap onde nomeava as maiores estrelas da era de ouro de Hollywood. Quando os executivos da Warner ouviram a canção que inicialmente seria um lado B do single de “Keep it together“, resolveram lançar e logo em seguida, “Vogue” tornou-se hit instantâneo.

Na época, por conta de um trabalho árduo, e também por circular com Warren Beatty, Madonna passou a ser aceita pela comunidade do cinema de Hollywood – antes disso, as pessoas tinham receio de sua presença, porque a imprensa sempre a veiculava como uma mulher escandalosa e polêmica. Aos poucos, a artista POP passou a ser vista ao lado de astros como Jack Nicholson, Michelle Pfeiffer e Al Pacino, além dos chefes de estúdio de companhias cinematográficas. Ainda durante essa era, em 1991, Madonna performou “Sooner or Later” numa cerimônia do Oscar, vestida como Marilyn Monroe e utilizando 21 milhões de dólares em joias, a apresentação impactou não somente porque a artista estava completamente deslumbrante, mas também porque mesmo nervosa diante de sua plateia, ela entregou uma performance vocal impecável. Era oficial: Madonna era a rainha do POP.

Vocês acreditam em liberdade artística?”

Para promover seus mais recentes discos, Madonna decidiu partir em turnê, naquele que seria o show mais importante e revolucionário da cultura POP contemporânea e que a consolidou como o maior nome de sua geração.

Madonna utilizando os sutiãs cônicos de Jean Paul Gaultier. Foto: Gie Knaeps.

Originalmente patrocinada pela Pepsi e intitulada “Like a Prayer World Tour”, a turnê teve seu nome modificado, depois que Madonna platinou suas madeixas para a gravação de “Dick Tracy”. Em novembro de 1989, a Sire Records anunciou os 57 shows, sendo 9 na Ásia, 32 nos Estados Unidos e 16 na Europa, esgotando arenas e estádios. Ao todo, a turnê arrecadou 62,7 milhões de dólares.

A direção artística ficou a cargo do irmão de Madonna, Christopher Ciccone, que já havia trabalhado com ela desde “Lucky Star”, um de seus primeiros singles. A iluminação foi responsabilidade de Peter Morse, enquanto as coreografias foram criadas por Vincent Paterson.

Já naquela época, Madonna se demonstrava extremamente perfeccionista, e queria distanciar-se dos tradicionais e comuns shows de rock, onde os artistas apenas apresentavam suas músicas, sem nenhum conceito ou narrativa em particular.

Com a ‘Blond Ambition Tour‘, Madonna elevou o nível de produções POP nas alturas, e criou um espetáculo multimídia, que unia dança, cinema, performance art, teatro, moda e musicais da broadaway.

A construção do palco custou aproximadamente 2 milhões de dólares. O palco tinha 80 X 70 pés de comprimento e precisava de mais de cem tripulantes para montá-lo e 18 caminhões para transportá-lo. A peça central era uma enorme plataforma hidráulica, na qual Madonna subiu no início de cada show. Os ensaios foram realizados no Walt Disney Studios em Burbank, Califórnia. Para executar com maior precisão as complexas coreografias, Madonna pediu para que criassem um microfone de cabeça para ela, tornando-se uma de suas marcas registradas. A banda belga de música eletrônica Technotronic foi assinada como o ato de abertura durante a turnê.

O show era dividido em 5 atos: ‘Metropolis‘, ‘Religious‘, ‘Dick Tracy‘, ‘Art Deco‘ e o ‘Encore‘.

Na abertura do show, a artista aparecia no topo de uma indústria, enquanto homens descamisados aparecem no solo, dançando e clamando pelo seu amor. Já na abertura antes de iniciar “Express Yourself“, ela declara: “Vocês acreditam em amor? Porque eu tenho algo a dizer sobre isso…“. Em algumas ocasiões, quando a artista foi ameaçada pela polícia ou pelo vaticano, ela provocava e dizia: “Vocês acreditam em liberdade de expressão?“. Vestida com terno feito sob medida pelo designer francês Jean Paul Gaultier, ela brincava com estereótipos do masculino e feminino. A performance seguia com Madonna ao lado de Niki Harris e Donna DeLory, que foram suas fiéis escudeiras e backing vocals, até a “Drowned World Tour” em 2001. “Metropolis“, aliás, é um filme de expressionismo alemão, lançado na década de 20, um dos primeiros de ficção científica da história.

A vitalidade e rigor físico de Madonna impressiona nesse show, e especialmente no primeiro bloco, é como se o seu corpo, musculoso, e moldado a base de exercícios de aeróbica, anabolizantes e dietas rígidas, fosse uma extensão da tecnologia maquínica que regia seu palco.

O ato religioso é um dos mais impactantes do show. Madonna aparece numa cama em vermelho escarlate, usando os icônicos sutiãs dourados de Gaultier, enquanto dois dançarinos afeminados estão ao seu lado, como se a colocassem em tentação. “Like a Virgin” então acontece, com iluminação tensa, e ritmos indianos. Aos poucos, Madonna descobre que o prazer não vem dos corpos de outrem, mas de si mesma, e por isso, diante do público, coloca-se a masturbar-se até que a música termina e uma voz sussurra: “Deus?“.

Em entrevista à Revista Esquire em 1994, ela lembrar-se-ia da performance infame: “Fui acusada por anos e anos, especialmente no início de minha carreira, de levar o movimento feminista para trás, porque eu estava sendo sexual de uma maneira não-tradicional, com meus espartilhos, sutiãs e cinta ligas e isso e aquilo, e feministas estavam me espancando por aí: “O que você está fazendo? Você está enviando todas as mensagens erradas para meninas. Eles deveriam usar a cabeça, não os peitos e as bundas. Para mim, precisamos usar tudo o que temos, sua sexualidade, sua feminilidade, sua – qualquer testosterona que você tenha dentro de você, seu intelecto – use o que você tem.”

Semioticamente, nessa performance, é como se Madonna provocasse o status quo masculinista: “se vocês tem um falo, então eu posso ter dois!”. Os sutiãs cônicos de Gaultier são ameaçadores, funcionam como uma armadura. Os seios, símbolo daquilo que poderia significar conforto e maternidade, aqui se tornam os pesadelos freudianos, subvertendo a feminilidade tradicional.

Vestida como uma freira, ela entoa “Like a Prayer” numa coreografia vibrante. E logo em seguida, canta sobre aborto em “Papa don’t Preach“. Ainda há espaço para “Live to Tell“, onde ela fala sobre traumas deixados por homens. O cenário do show agora se torna uma igreja fúnebre e escura. Esse ato do show, 20 anos mais tarde, serviria de inspiração durante toda a era “Born This Way” de Lady Gaga. A influência da ‘Blond Ambition Tour’ também pode ser vista em atos de artistas como Nicki Minaj, Christina Aguilera, Ariana Grande ou mesmo Lizzo e Rihanna.

Por conta do bloco ‘Religious‘, a polícia foi envolvida nas três primeiras datas do show em Toronto, no Canadá. A ameaça era clara: caso o show não fosse cancelado pela própria Madonna, voluntariamente, ela seria presa após a apresentação seguinte por “exibição lasciva e indecente”. Não é necessário dizer que Madonna fez a cena da masturbação de maneira ainda mais incisiva.

Quando a turnê foi para a Europa, o Papa João Paulo II sugeriu que seus seguidores não comparecessem ao show, pois era uma celebração daquilo que seria mais pecaminoso, herege e blasfemo. Ainda no aeroporto, Madonna fez uma coletiva de imprensa: “Sou ítalo estadunidense e tenho orgulho disso. A turnê não prejudica os sentimentos de ninguém. É para mentes abertas e leva a ver a sexualidade de uma maneira diferente. Há o teatro, as perguntas, provoca pensamentos e leva você a uma jornada emocional, retratando o bem e o mal, luz e escuridão, alegria e tristeza, redenção e salvação”.

O show então segue, com Madonna apresentando-se num cabaré, como sua personagem em “Dick Tracy“. O bloco ‘Art Deco‘ começa com Madonna parodiando loiras de filmes de comédia em “Material Girl“, seguindo por “Cherish“, com tritões, e “Into The Groove“, onde ela faz campanha pelo uso de camisinha – nessa época, a artista já tinha perdido diversos amigos e colaboradores artísticos para a Aids e a negligência do Estado, que negava-se a bancar pesquisas para medicamentos e cura do vírus HIV, já que ele acometia principalmente homens gays, trabalhadoras sexuais e hemofílicos. Nesse sentido, o show torna-se mais uma vez um artefato político progressista, que defende os direitos LGBTs e feministas. “Vogue” encerra o bloco, e Madonna faz uma coreografia herdada pelos famosos ballrooms de New York: era a primeira vez que o público médio norte-americano lidava com gays e lésbicas no mainstream. A última parada da “Blond Ambition Tour” em East Rutherford, New Jersey, foi em memória de Keith Haring, artista visual, gay, e amigo de Madonna, e os mais de 300 mil dólares arrecadados foram doados à Fundação de Pesquisa da AIDS, em sua memória: “A AIDS é nossa inimiga, prestem atenção nisso. E sim, ela não se importa se somos hétero ou gays. Não devemos ser julgados pela nossa orientação sexual”, diria Madonna no palco.

Holiday” e “Keep it Together”, com influências de “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick finalizam o show.

Para registrar a turnê, Madonna firmou contrato com a HBO que exibiu o show do dia 05 de agosto em rede nacional, sendo um recorde de audiência do canal, quando mais de 4 milhões de lares norte-americanos conectaram suas TVs para ver as peripécias da “Blond Ambition Tour”.

Ainda durante essa era, a artista lançou “Na Cama com Madonna” (“Truth or Dare”), um documentário que previa a tendência de reality show, formato que popularizou-se durante a década de 2000, e influenciaria todos os artistas POP que se lançariam depois e que documentariam suas vidas pessoais e processos criativos, como Kylie Minogue, Beyoncé, Taylor Swift ou Britney Spears. Para a direção de seu documentário, Madonna convidou Alek Keshishian, um estudante e documentarista formado em Harvard, para cobrir os bastidores da turnê até o seu fim. Assim, o diretor teria acesso a cada movimento do ícone POP, dentro e fora dos palcos, com e sem maquiagem, ao acordar, ao dormir, durante os ensaios, e também com um extremo mau humor. Depois disso, Keshishian tornar-se-ia grande amigo de Madonna, e uma das pessoas em quem ela mais confia.

Na Cama com Madonna” fez grande sucesso nos cinemas, e mostra Madonna numa película elegante em preto e branco, enquanto as performances do show são exibidas em cores vivas. Décadas mais tarde, os bailarinos da turnê fariam o documentário independente “Strike a Pose!”, contando suas histórias e vivências depois da turnê com Madonna.

Até hoje, esse show permanece importante, e mais relevante do que nunca, visto que tanto sua fórmula, quanto seu conteúdo, ainda é revisitado na cultura POP contemporânea. Com a “Blond Ambition Tour“, Madonna redefiniu o que significa ser mulher, reeditou o imaginário popular sobre sexualidade, promoveu identidades mais livres e moveu diretores de cinema, coreógrafos e designers de moda para as vanguardas de suas criações. O mundo nunca mais foi o mesmo.

Por: Ali Prando