Zebu, produtor de Anitta e Pabllo Vittar, lança primeiro EP solo, “ZB1”

De Pabllo Vittar a Anitta, de Sandy e Junior a Belo: Guilherme Pereira, DJ e produtor por trás do projeto Zebu, tem renovado a sonoridade de artistas POP brasileiros. Inspirado por Chill Chang e Flume, a sonoridade eltrônica nem sempre foi feita pelo artista. Aos 15 anos, teve uma banda de rock, e foi aí que descobriu a paixão pelos processos de edição, criação de mix e arranjos musicais. Desde que voltou da Inglaterra, em 2015, quando seu curso sobre som faliu, começou a dedicar-se a produção de mashups, misturando MC Carol, Stranger Things, “Passinho do Romano” e músicas cheias de humor.

Operário do POP Brasileiro, Zebu assinou produções dos maiores artistas na cena atual.

Um verdadeiro operário da música POP, Zebu tem se movido contra a síndrome de indie e da erudição: “A não ser que as pessoas sejam muito eruditas, quem xinga esse tipo de música falando que é absurdamente pobre está provavelmente errado. Escrever uma melodia pop é uma coisa difícil, uma letra catchy também”, explica. “E nem precisa ir tão longe: um monte de produtor “fã de música eletrônica de grave forte” xingando funk pra caramba e não conseguem fazer um sub pesado que bate forte igual o DJ R7“, dispara o produtor.

Recentemente, Zebu lançou seu primeiro EP solo, “ZB1“. Finalizado e composto durante a quarentena em razão do coronavírus, o EP flerta com twerk, future bass, e house. Os títulos de cada uma das faixas – “IKY”, “IFY” e “ILY” – são acrônimos para os samples principais usados em cada uma delas e três diferentes sentimentos: “I know you” (eu conheço você), “I feel you” (eu sinto você) e “I love you” (eu amo você). O projeto vem acompanhado de animações 3D, com visuais futuristas.

Em entrevista ao DiscoPunisher, Zebu fala sobre seu EP, a cena POP brasileira e suas principais influências:

DP – Você trabalhou com Anitta, Pabllo Vittar, MC Zaac e outros artistas POP que estão trilhando um caminho super potente internacionalmente também. Como essas parcerias aconteceram?

Z: Tudo começou em 2017, quando eu estava fazendo alguns remixes e lançando no youtube, e fui convidado pra participar do álbum Vai Passar Mal Remixes da Pabllo. Meu remix acabou chamando atenção da Brabo Music (na época era Gorky, Maffalda, Arthur Marques e Pablo Bispo) que me chamou para um camp de composições para o próximo álbum da PV. Acabou que nos demos muito bem e eu acabei por efetivamente entrar para esse time, e junto fizemos todas essas coisas legais nos últimos anos (Entre outros projetos, o álbum ‘NPN’ da PV, o ‘111’, o EP da Urias, do Mateus Carrilho, ‘Garupa’ da Luísa Sonza, ‘700 por hora’ da Ludmilla e mais recentemente ‘Desce pro Play’, que está tocando bastante).

Sobre a cena pop hoje, acho que vivemos um momento muito importante, porque o brasileiro nos últimos anos começou a consumir muito o pop que vem de dentro do país, e traz essas referências dos ritmos regionais. Isso é muito legal pois foi criado uma estética única, não soa como o mercado latino no geral, e nem muito europeu ou americanizado. Ao mesmo tempo estão surgindo muitos produtores e compositores talentosos, que com essa democratização via internet, estão gerando muitas músicas legais e diferentes que acabam viajando entre os ritmos – hoje já é muito mais difícil definir o limiar entre o pop e o funk ou o forró ou o reggaeton, entre outros ritmos. A cultura brasileira está mais presente nele do que nunca.

DP – O que você descobriu sobre você mesmo durante esse processo de quarentena?

Z: Esse momento está sendo muito difícil pra todo mundo né, é muito difícil criar ou desviar o foco da sua cabeça do que está acontecendo. Ao mesmo tempo que sinto que é importante não se alienar e estar sempre informado, achar o melhor jeito de lidar com essas informações e ansiedade que elas causam é o mais difícil.

No meu caso tentei usar o tempo em casa para focar em criar algo sozinho e foi realmente um desafio, trabalhando em grupo você é acostumado a perguntar o tempo todo o que estão achando, e sozinho não tem como. Ao mesmo tempo foi uma sensação de nostalgia do tempo que eu fazia meus remixes no meu quarto em 2017, e foi interessante repensar o processo criativo, simplificar ele um pouco. Acredito que isso foi um aprendizado que levarei para os projetos com o time.

DP – Seu projeto ZB1 vem acompanhado de animações 3D, com visuais futuristas baseados na figura do boi. Você pode nos contar qual é o significado desse símbolo para você e como você desenvolve sua estética visual?

Z: O apelido de Zebu foi me dado na faculdade em 2012 e desde então virou meu “nome” oficial, todos que conheço me chamam assim e eu meio que adotei. Acho que foi meio que sem querer que isso aconteceu, então tentei só aproveitar o nome que o destino me deu e criar uma simbologia a partir dele .

DP – Quais foram os discos que você ouvia durante a infância e adolescência que influenciam sua identidade sonora hoje?

Z: Eu sempre gostei muito de escutar coisas que soassem românticas, cresci ouvindo muitos musicais (trilhas da disney e etc), com meus pais escutei muito Flávio Venturini, Roupa Nova, Tears for Fears, Sandy & Junior. Aprendi a tocar violão quando eu era muito novo ainda, e meu tio me passava muita coisa de Bossa Nova pra aprender. Quando comecei eu mesmo a procurar minhas próprias músicas, gostava muito de rock mais pop-farofa (escutei muito o acústico MTV do Kiss) e qualquer coisa que misturasse gêneros musicais (amava o Collision Course do Linkin Park com o Jay-z e era fissurado no Estúdio Coca Cola da MTV).

Um pouco mais velho também tive a minha fase indie rock, amava o primeiro disco do Vampire Weekend Franz Ferdinand, Arctic Monkeys…mas também já pirava muito nas músicas da Lady Gaga e do Cine que saíram naquela época (que foi o que me fez procurar começar a fazer coisas mais eletrônicas). Sempre gostei muito de funk também. Enfim, é muito difícil definir, acho que tudo que a gente escuta durante a vida nos influencia demais, mas se eu tivesse que escolher dois álbuns que mais me influenciaram creio que seria ‘Songs in the key of life’ do Stevie Wonder e ‘Skin’ do Flume.

DP – O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você que elas ainda não sabem?

Z: Talvez uma coisa que muitas pessoas que já trabalharam comigo na música não sabem é que eu tenho uma graduação incompleta em Ciência da Computação na Unicamp, fui até sócio numa startup de TI, trabalhei por anos fazendo testes e desenvolvimento de software e fazia trabalhos como freelancer desenvolvendo sites (que inclusive me ajudaram a comprar meus primeiros equipamentos de produção musical).

Por: Ali Prando