Conheça os beats eletrônicos de Cracá

Multiartista, produtor, Craca é conhecido por ocupações audiovisuais extremamente experimentais.

Utilizando as linguagens da música eletrônica, videomapping e instrumentos acústicos, Felipe Juan, concentra seu trabalho em nos provocar esteticamente.

Traquitana Audiovisual‘, disco solo de Craca, arrancou elogios da crítica especializada brasileira – não é para menos, visto que o registro é fruto de uma inquietude que se funde a ritmos latinos e africanos, dispositivos eletrônicos, e alta tecnologia.

Antes em duo com Dani Nega, eles passaram por vários países em turnê, passando por Noruega, França, Alemanha, Bélgica e Irlanda do Norte. Em seus shows já participaram artistas como BNegão, Luedji Luna, Gog, Ilú Obá de Min, Roberta Estrela D’Alva, Juçara Marçal, Sandra-X, Clarianas, entre outros.

Tiveram um videoclipe para a canção “Papo Reto” produzido e dirigido pela premiada documentarista Day Rodrigues. Este clipe contou com a participação de mais de 50 personalidades femininas negras da cena cultural brasileira.

No videoclipe de “Terceirizados”, produzido durante a quarentena no celular do artista, Craca utiliza uma Cigar Box Guitar, guitarra feita de caixa de charutos e cabo de vassoura tocada com o bottle neck: um pescoço de garrafa de cerveja presa ao dedo. Usada por ícones do blues como Blind Willie Johnson e Muddy Waters.

Em entrevista ao DiscoPunisher, o artista fala sobre seu trabalho, a quarentena e suas referências:

DP – Com “Terceirizados”, você abre mão das camadas eletrônicas para usar uma Cigar Box Guitar. Como a quarentena tem afetado seu processo criativo?
C: A quarentena, num primeiro momento abriu tempo na minha agenda já que eu perdi instantaneamente 7 shows e 2 cursos. Isso me permitiu abrir aquela pastinha escrita “musicas inacabada” e o resultado é que já lancei 5 faixas novas e tem outras pra rolar logo mais. O lance de estar usando instrumentos acústicos nesses vídeos não bem novidade. Em todas as minhas produções eu sempre toquei vários instrumentos de corda. A diferença é que agora, na situação do isolamento social, eu me propus a filmar e fazer clipes com isso. Daí que muita gente tá descobrindo que eu sou instrumentista também. Mas sempre fui.

DP – O que significa ser artista no Brasil em 2020?
C: Significa estar aberto a novos conceitos, emoções e permitir-se esvaziar-se se necessário. E significa preparar-se para um mundo com novos paradigmas. Muita coisa vai perder o sentido e muitos sentidos novos vão surgir. É um terreno fértil. Muita sorte ser artista neste momento.
Mas, acima de tudo, significa preparar a subjetividade pós pandêmia. Isto é, produzir o conteúdo que habitará as mentes e as almas a partir de agora. Os artistas tem agora uma missão mesmo. A de se contrapesar as forças que passarão a redesenhar o mundo a partir de agora.

DP – Quais artistas você ouvia durante a adolescência e infância que te trouxeram para a estética sonora que você assume hoje?
C: Nossa! Não dá pra fazer esta lista. São muitas influências. O blues de Muddy Waters, a banda e a voz de Janis Joplin, as canções e os arranjos de Chico Buarque, as vozes de Milton Nascimento e Mercedes Sosa, o funk de James Brown, o rock progressivo e suas muitas bandas, a voz, o violão e as composições modais de Elomar, muita música barroca. Chopin, Haendel, Bach, Stravinsky, Sibelius, Carmina Burana, Bjork, Bomba Estereo, Systema Solar, Chancha Via, Nina Simone, Herbie Hancock, Claude Bolling, Alsarah & the Nubatones, Anja Garbareck, Chemical Brothers… enfim… não tem nem 10% aqui do que eu deverai citar.

DP – O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre você que elas ainda não sabem?
C: Eu espero que quando possamos voltar a tocar ao vivo mesmo as pessoas assistam ao meu show, pois é uma experiência que vai muito além de meu trabalho musical ou de meu trabalho visual. É uma imersão audiovisual mesmo. Eu sei que quem assiste a esse show fica com um sorriso na cara que eu não esqueço. Espero que possa voltar logo a fazer isso.

Por: Ali Prando